há dias em que queria ser outra (what’s-new?). totalmente racional, libertar-me da confusão das várias tonalidades de cinzento e perceber apenas o preto-e-o-branco. facilitava tudo muito mais. saberíamos, sem dúvidas nem angústia, que as nossas acções seriam as certas. que as palavras que dizemos são as verdadeiras e nunca atiradas ao ar sem significado. de acordo com o que sentimos, com os nossos valores, equilibrado as expectativas, nossas e do outro. seria perfeito. talvez por não sermos perfeitos, e porque o mundo também não o é, existam os cinzentos. devia haver um guia de cinzentos que nos aproximassem o mais possível do nosso-preto-perfeito. ou do branco-perfeito-do-outro. também devia haver um botão qualquer que parasse a máquina, aquela de onde vem esta sensação de amargo, de existencialismo, de nunca fazer bem ou sempre tentar demais. a felicidade pode ser mais do que lindas poesias que eternizam momentos.
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