passado-presente-futuro

a minha saída oficial é só na 2ª feira e já em Hong Kong. mas hoje é o último dia que vou voltar aqui. deixo de ver o écran porque o sol já vai baixo e reflecte, cor de laranja e gigante, na cidade das ruas largas e onde os carros circulam na faixa contrária. sinto-me quase que embalada e páro de pensar por segundos – que descanso… como se apaziguasse esta sensação para a qual não encontro nenhuma palavra que me pareça adequada no momento. como é habitual já estou sózinha há algumas horas, o barulho do ar condicionado é a única coisa audível – e por sinal, muito irritante. hoje é sexta-feira e as pessoas vão de fim de semana, alguns de férias. e outros, saem de vez. acabou esta etapa da minha vida. ao fim de seis anos e seis meses digo adeus àquela que foi a minha outra morada semanal, a das 9-às-7-8-9, aos colegas, às secretárias, aos post-it e aos marcadores coloridos e penso em como tudo já me parece tão longe. acho que sempre esperei por este momento mas não sabia como ia ser. não há glória, não há felicidade, mas também não há tristeza. talvez um pouco de angústia, mais a incerteza e o medo de não estar à altura do que há lá fora para descobrir. começar, aquela sensação de estarmos por nossa conta. parar. pela primeira vez em dez anos vou parar. sem saber bem qual o destino seguinte. como aquelas portas mágicas dos filmes que voam pelo ar e que se abrem para a imensidão. quero acreditar que isso é um bom sinal. uma sinal dos tempos, de que a mudança é o motor da nossa busca pessoal.

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3 Comments

  1. “O Mundo pula e avança, como bola colorida nas mãos de uma criança”,lembras-te??

    A vida é feita de mudanças e esta também vais dar “conta dela”.
    Um beijo grande

  2. Vejo aí o síndrome do papel branco.
    Sempre que o pintor olha a tela antes do prmeiro gesto, sofre a angústia da criação (o quê, para quê, com forma, que sentido tem, o vou fazer?). Mas esse é também um primeiro, eventualmente o único, momento de liberdade no seu processo criativo – o sentir o vazio, e o de o anular com um gesto.
    A partir do prmeiro gesto inicia-se uma sequência em que o determinismo dos antecedentes é cada vez maior – o artista conduz cada vez menos, a obra é ente que autonomiza progressivamente a sua existência, até à tirania total co m que subjuga o criador – afinal apenas o mero executor que dá continuidade a um processo sobre o qual ele já tem pouco domínio.
    Esta evolução pode tornar-se obcessiva, despótica, a tal ponto que o artista começará a sentir necessidade de liberdade, descartando a sua criação. Retornando assim ao intervalo entre criações, e ao tal momento mágico de encarar o papel em branco ou a tela vazia …

  3. diz a minha avò que “quem muda, deus ajuda”. eu não acredito em deus, mas acredito na minha avó. vai correr tudo bem! ainda andas por terras lusas? um beijinho*

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