quando entrámos no jipe ele já tinha o sorriso fresco da manhã que começava. era um homem simples, falava das coisas simples. foi neste passeio de canoa por Mangrove que me contou que o seu sonho era visitar Vila Nova de Gaia: “tenho lá um amigo”. rimos, não estou certa de que pelo mesmo motivo. à medida que o dia foi passando a cerimónia foi desaparecendo e deixou-me fotografar os seus pés pretos e dedos brancos. e subir o coqueiro da praia Jalé, ele com a destreza de quem sobe árvores a vida inteira e eu a “branca” que se pendurava pela primeira vez sem conseguir parar de rir. andámos pelos hemisférios a percorrer continentes e falámos das diferenças entre culturas. na viagem de regresso ia-me perguntando se estava bem, estranhando os meus silêncios. demos-lhe um pacote de bolachas que tinha sobrado da merenda e ele contou-as uma a uma, queria que cada filho recebesse igual parte. abracei-o, agradeci-lhe por me tornar mais rica.




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