(ontem)
sento-me numa das muitas esplanadas dos muitos quiosques que vendem água de côco – entre outros, irrelevantes – pelo calçadão afora. mesmo à beira do muro que me separa da areia e depois da água do mar. está calmo, o mar, parece. cá fora a temperatura não é das mais desejadas, mas o mar adivinha-se agradavelmente quente. que tranquilidade, quase nos faz esquecer que correm carros, autocarros, bicicletas e pessoas mesmo atrás, no calçadão, na estrada. há pessoas a caminhar na areia como se à deriva, como se o tempo não tivesse importância, sequer passasse. e se pensarmos bem, não tem importância mesmo.
(hoje)
acordo e faço sempre a mesma coisa: puxo a cortina e olho para o céu. hoje resgataram o sol. fico feliz como uma criança. meio tímido, mas está lá, também cansado da prisão a que o devotaram desde há tantos dias, dias de férias, merecidas férias da existência em que só o prazer deve ser admitido, mais ainda na cidade maravilhosa, como só ela sabe. aparece por entre as nuvens, flocos que o impedem de cair. está aquele calor abafado, de trovoada e dá para sentir que hoje a praia vai dar. os quiosques do côco estão abertos novamente, ai água de côco, beberia todos os dias. ah! praia no Brasil, no Rio de Janeiro, no Leblon. afinal aqui também o sol é um luxo. o mar continua aparentemente sereno e hoje vou mergulhar, cheia de vontade de ficar salgada da cabeça aos pés. mergulho. uma e duas vezes sem deixar que a corrente me assuste e encho-me de energia. subo e deito-me a secar, com o livro sempre ao lado, o único amigo numa praia quase vazia. e lá atrás a vida continua, sambando.
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