cinco-e-vinte-e-três

a cada dia que passa mais estou convicta de que não faz grande diferença saber e parecer que sabemos. para mim a verdadeira questão está apenas em saber como fazer para parecer que sabemos. existem verdadeiros mestres, doutores e experts na matéria. apercebo-me agora com uma clareza quase que risível que vivi a maior parte da minha vida profissional rodeada dessas pessoas, sentindo-me ameçada pelo seu saber sempre que em confronto com a minha incauta ignorância ao perguntar quando realmente não sabia. até que tive de começar a esconder algumas vezes que não sabia, alimentando uma culpa que também não vejo na maioria dos ‘falsos-sabedores’. em muitas dessas alturas senti o bafo do medo, como uma corrente de ar que eriça os pelos do braço, como que a querer paralizar-me, mas felizmente a vida arrasta-nos para a frente, quer seja por bem ou por mal, num caminho que escolhemos ou que acaba por ser escolhido para nós. nunca ninguém se riu na minha cara, é um facto, mas tenho a certeza de que lá atrás dos monitores e entre cabeças separadas por biombos muitas gargalhadas se devem ter dado às minhas custas. no entanto, não são essas inevitáveis e comuns manifestações humanas que me preocupam, todos já fizémos o mesmo a determinada altura e por uma ou outra razão. a questão é bastante mais profunda e com direito a horas intermináveis no divã. gostava de possuir a fórmula que me permitisse aprender a arte de bem disfarçar o meu falso saber, não pelos outros, mas por mim mesma.

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2 Comments

  1. Não se aprende essa arte, quando se possuiu um coração puro como o teu…as pessoas que sabem faze-lo e vivem nesse mundo não são felizes… a verdadeira felicidade consiste em saber fazer os outros felizes, e tu minha querida tens esse dom… E tua espontaneidade, a simplicidade do conselho, a palavra amiga, o sorriso inconfundível faz de ti o que és… não te imagino igual a aos senhores dos biombos…

  2. Estou mesmo de acordo com a flor-de-jardim. Um ser tão genuíno como tu não consegue entrar na politica do faz de conta. Não ias saber como fazer. Mas se olhares para trás vais ver que não foi assim tão mau ser, e mostrar como és. Vê bem…o que perdeste e o que ganhas-te? Aposto que foi graças a essa tua forma de te mostrares aos outros que conseguis-te construir esse teu leque de amigos tão diversificados na idade, cultura, profissão e mesmo dispersão geográfica. Continua que estás no bom caminho.

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