fiquei fã de Einstein quando assisti à série biográfica GENIUS no canal National Geographic. era um homem verdadeiramente fascinante e prova de que não só de conhecimento empírico se faz história. foi rejeitado e gozado inúmeras vezes por persistir na intuição que lhe dizia estar destinado a protagonizar uma das maiores transformações da humanidade. “a curiosidade é mais importante do que o conhecimento”, disse-o e provou-o.
mas tememos tanto a excitação de um remoinho-que-nasce-entre-as-nossas-costelas e que não conseguimos evitar, à construção mental de A+B assente nas verdades tidas como absolutas e com que compomos o manual-de-instruções que a vida não traz por defeito. já sabemos que é da natureza humana resistir ao desconhecido, evitar transformações e quebrar hábitos que quase parecem ser-nos inatos e permitem etiquetar tudo ao nosso redor, quando é no passo irreconhecível e, muitas vezes, mais temível, que se dá a verdadeira mudança.
quando tenho medo de alguma coisa vou adiando entregar-me a ela e deixar à mostra as minhas humanidades mais feias, como se falhar fosse um porteiro mau que me pede 100€ para entrar na discoteca porque não sou a mais bem vestida da festa. mas eu até tenho 100€ e até me visto bem e já sei que sobreviver exige que se ande para a frente mesmo se não sabemos bem para onde indica o caminho. e tal qual uma Clarice Lispector que ‘todas as manhãs deixa os sonhos na cama, acorda e põe a sua roupa de viver’, decidi que tinha de voltar a estudar.
comecei no verão com um curso de excel, uma folha de quadrados e fórmulas que nunca dominei e com potencial para conquistar o mundo, quem sabe agora um destes dias quando não tiver nada para fazer. foi desafiante comprometer-me a aprender algo de que não gosto mas que me é útil e posso mesmo dizer que foi o empurrãozinho piedoso que tantas vezes é preciso para dar o leep-of-faith que vai ser agora voltar à Universidade. com caderno de apontamentos e ouvidos ligados porque o esforço é bem maior que há uns anos atrás quando fiz isto pela primeira vez sem comprometer a frescura do dia seguinte. durante alguns meses as minhas semanas vão ser mais longas e terminar mais tarde e não é porque vou ao after-hours no terraço da empresa e sim recauchutar o meu marketing-vintage para o digital que atropelou a minha geração sem dó-nem-piedade.
e de repente acho-me no meio de uma tribo que já não é a minha – no meu tempo havia públicos-alvo e agora há tribos. havia 4 P’s e agora há 7. havia swot e agora há aida. havia anúncios e agora há youtubers. há SEM, SEO e CPC e toda uma parafrenália de analíticos que se misturam num excel complexo para resultar em fórmulas ganhadoras de mais likes e clics e cenas dessas que fazem até ganhar políticos corruptos ou comprar uma marca sem gostar do produto. agora tenho pela frente todo um léxico desafiante e que me vai dar água-pelo-buço mas se é verdade que me sinto uma novata nisto, as boas notícias são que ainda há brainstorming, benchmarketing, branding e muito ROI a obter desta empreitada.




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